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As festas latinas regadas a reggaeton no Brasil.

10 AGO 2017
10 de Agosto de 2017

O Brasil, apesar da proximidade geográfica e – por que não – histórica, nunca foi um país muito receptivo aos ritmos latinos. Talvez pela barreira linguística, talvez por não se considerar tão latino assim. São poucos os nomes vindos de países latinos e cantando em espanhol que fizeram barulho por aqui na última década. Shakira? Enrique Iglesias? RBD?

Mas 2017 já começou com um estrondo: Luis Fonsi e Daddy Yankee lançaram “Despacito” e conquistaram não só o Brasil, mas o mundo, incluindo países com idiomas muito mais distantes do espanhol do que nós, como Dinamarca e Alemanha. Anitta também teve sua participação ao fazer parceria com dois artistas latinos: Maluma – que chegou a vir para o país para acompanhá-la em shows no Rio e em São Paulo, voltou para apresentação solo no Villa Mix Festival e está com o single mais recente, “Felices Los 4” tocando nas rádios – e J Balvin, de quem fez o remix para “Ginza” e ajudou a divulgar “Mi Gente”, que também está tocando em rádios brasileiras.

A própria Anitta reconhece que foi difícil convencer as emissoras de que o público estava pronto para o espanhol. Antenada às tendências lá de fora, onde o reggaeton já é ouvido e explorado, assim como outros ritmos latinos e caribenhos, ela bancou a aposta. Não é a toa que uma das maiores estrelas da música atualmente, Justin Bieber, resolveu participar de "Despacito" e catapultou a música ao 1º lugar do Hot 100 por 11 semanas, a primeira música em espanhol a chegar neste patamar em 20 anos, desde "Macarena".

Esse boom, porém, já era pressentido e aguardado por brasileiros que acompanham a música latina há algum tempo e mal esperavam pelo momento de o reggaeton finalmente explodir por aqui. Um bom exemplo são os amigos Diego Honorato, Rafael Takano e Leandro Amaral, os responsáveis pela festa ¡CalleBaile!, realizada todas as sextas em São Paulo. Por causa de viagens pela América do Sul, eles entraram em contato com toda a efervescência do reggaeton e voltaram para o Brasil cheios de referência.

Não que a cidade estivesse completamente imune aos ritmos latinos. São Paulo já contava com festas onde os paulistanos e os turistas podiam se esbaldar ao som da salsa, do merengue, ritmos latinos mais tradicionais, mas nada de reggaeton. Foi aí que os amigos tiveram a ideia de criar a ¡CalleBaile!. "A ideia era trazer o brasileiro para perto dessa cultura que é meio afastada, a gente não se acha muito latino. É um ritmo dançante, gostoso, quisemos usar a festa como expoente pra mostrar essa cultura, focado nesse ritmo. Queríamos mostrar coisas que talvez as pessoas conheçam, mas não reconheçam como reggaeton”, explica Diego.

A primeira edição aconteceu em março deste ano e, para a surpresa dos organizadores, teve fila de duas horas de espera para entrar no local onde a festa foi realizada. “Não imaginávamos que as pessoas iam topar passar tanto tempo dançando músicas que não conhecem”, relembra Diego. Depois do sucesso inicial, o pedido: que a festa se tornasse semanal.

Buscando trazer sempre músicas novas para a festa, os amigos contam com a ajuda do próprio público que pede suas preferidas nos eventos de Facebook, e abusam da tecnologia. Spotify e YouTube são as fontes principais quando o assunto é descobrir o que bomba no reggaeton pela América Latina.

Ana Guimarães também precisa estudar bastante para montar seus sets antes de tocar em festas em Curitiba. Tudo começou quando ela teve a demanda de lançar J Balvin para o público local e surgiu a ideia da festa Me Gusta, focada em um público jovem, que consome o pop e, por que não, o reggaeton. Hoje, ela toca em várias outras festas, inclusive a Caliente – também focada nos ritmos latinos, mudou a periodicidade de mensal para quinzenal quando deu mais atenção ao reggaeton e acabou renovando o público.


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